quarta-feira, 29 de junho de 2011

Mulheres se estressam mais com finanças, aponta pesquisa

Ryan Mac | Bloomberg, de Nova York
28/06/2011
 
Uma pesquisa recém-divulgada nos Estados Unidos afirma que quase 30% das mulheres apresentam níveis elevados de ansiedade em relação às suas finanças, em comparação a 17% dos homens. Os resultados, de um questionário preenchido por mais de 1 mil pessoas no primeiro trimestre deste ano, também mostraram que 9% das mulheres relataram "um estresse financeiro absurdo", em comparação a 3% dos homens.
Gregory Ward, principal analista de pesquisas da empresa de consultoria e educação financeira Financial Finesse, na Califórnia, que conduziu o levantamento, atribui o resultado à maior sensação de responsabilidade das mulheres com os filhos em casa. "Certamente, isso é parte da psicologia de como os homens e as mulheres veem as coisas", afirma Ward.
Para os dois sexos, as preocupações com dinheiro diminuíram desde 2009, quando os Estados Unidos saíam da recessão provocada pela crise financeira, mostra a pesquisa. Naquele ano, a Financial Finesse constatou que 97% das pessoas consultadas experimentaram algum nível de estresse por causa de suas finanças, citando dívidas e pensões de aposentadoria, em comparação a 86% no estudo mais recente.
Das 438 mulheres pesquisadas, 28% disseram ter um estresse financeiro "alto" ou "absurdo", enquanto 62% informaram ter "algum" estresse, segundo revelou a Financial Finesse, que vende serviços e informações financeiras para empresas, municípios e cooperativas de crédito. Entre os 618 homens que participantes do levantamento, 66% admitiram ter "algum" estresse financeiro e 17% disseram ter níveis "altos" ou "absurdos".
Essa diferença pode ocorrer porque os homens veem a situação de suas finanças de uma maneira diferente, afirma Ward. "Talvez ele sejam mais confiantes do que deveriam ser."
Além disso, "as mulheres se sentem mais angustiadas que os homens quando não conseguem prover o que querem para os filhos", afirma Mary Gresham, uma especialista em psicologia financeira que vive em Atlanta.
Os trabalhadores de ambos os sexos entre as idades de 30 e 44 anos se mostraram como aqueles com uma probabilidade mais elevada de se preocupar com suas finanças, segundo constatou o estudo. Aqueles que ganham de US$ 35 mil a US$ 74.999 por ano - que Ward chama de "nível econômico médio" - estão particularmente suscetíveis às preocupações com dinheiro, afirma ele.
A Financial Finesse constatou que 14% das pessoas se caracterizaram como não tendo estresse financeiro, em comparação a 3% em 2009 e 2010. Entre as que se dizem sem preocupações, 97% afirmaram estar confortáveis com o tamanho de suas dívidas, 89% informaram ter um fundo de emergência e todas disseram que pagam suas contas mensais dentro dos prazos.
Numa análise da pesquisa, a Financial Finesse disse que as mulheres "continuam significativamente atrás dos homens em relação às habilidades básicas de gerenciamento de dinheiro, o que em última análise compromete a capacidade de economizar, tendo em vista objetivos financeiros de longo prazo".
Entre os participantes, 64% das mulheres declararam ter um conhecimento geral sobre ações, bônus e fundos mútuos, em comparação a 84% dos homens.
Gresham afirma que sempre há uma diferença quando o assunto é tomar decisões para aliviar o estresse financeiro. "Há uma certa diferença de gênero entre o fato de estar estressado por causa de dinheiro e a adoção de mudanças comportamentais", afirma ela. "No geral, os homens tendem mais a partir para a ação", acrescenta.

Custo de shopping na capital leva Ornatus para o interior

Daniele Madureira | De São Paulo
27/06/2011
 

Luis Ushirobira/Valor
Jae Ho Lee, sócio do Ornatus: injeção de quase R$ 50 milhões para abrir 100 lojas em 2011, de bijuterias e restaurantes
 
 
O alto preço cobrado pelos grandes shoppings da capital paulista está empurrando o Grupo Ornatus para o interior do Estado. Dono da bandeira Jin Jin Wok, de comida asiática, o grupo decidiu apostar em uma nova franquia, a Jin Jin Sushi, voltada apenas à culinária japonesa, que inaugura dois pontos em Ribeirão Preto em agosto. Segundo Jae Ho Lee, sócio do Grupo Ornatus, a rentabilidade proporcionada pelas lojas do interior é o dobro da oferecida pelos restaurantes de cidades como Rio e São Paulo.
"A diferença é de uma margem de 3% a 5% no interior para 1,5% a 2% das capitais", diz Lee. De acordo com o empresário, é preciso pagar até R$ 1 milhão para abrir uma loja na praça de alimentação de alguns dos maiores centros de compras da capital paulista. "Grandes shoppings cobram luvas [permissão para abrir loja] absurdas, de mais de R$ 600 mil", diz Lee.
Segundo ele, o alto custo para abertura de loja na capital não se restringe aos restaurantes e afeta outras bandeiras do grupo: a Morana e a Balonè, ambas de bijuterias. "Para abrir uma loja da Balonè [voltada à classe C] em um shopping da zona norte, por exemplo, teria um custo de R$ 1,2 milhão, com aluguel de R$ 19 mil por mês", afirma. "É fora da realidade".
Em 2011, estão sendo abertos 100 pontos de venda das quatro bandeiras comandadas pelo grupo - Jin Jin Wok, Jin Jin Sushi, Morana e Balonè -, com investimentos de aproximadamente R$ 50 milhões. A grande maioria são franquias: das atuais 260 lojas, o Ornatus é dono ou sócio de apenas 11. Em 2010, o faturamento das quatro bandeiras subiu 25%, para R$ 162 milhões. Este ano, a meta é repetir o índice de crescimento.
Em restaurantes, o grupo já operava com a Jin Jin Wok, que oferece iguarias da Tailândia, Japão, Coreia e, principalmente, da China. "Mas percebemos que a receptividade do público para a comida chinesa nem sempre é boa, pelo fato de os pratos serem considerados mais calóricos", diz Lee, descendente de coreanos. A comida japonesa, por sua vez, antes considerada "de elite", vem ganhando cada vez mais adeptos, inclusive entre a classe média, afirma o empresário. "É comum ver rodízios de pratos japoneses e mesmo opções em restaurantes por quilo", afirma.
Mas a mudança mais importante, na opinião de Lee, foi a adesão das novas gerações à culinária japonesa. "Há cada vez mais adolescentes e crianças optando por pratos como sushi ou sashimi".
Além das duas unidades do Jin Jin Sushi previstas em Ribeirão Preto (nos shoppings Santa Úrsula e Novo Shopping), a bandeira terá uma loja de rua em Araraquara.
No interior, afirma Lee, o público costuma se identificar mais com a culinária chinesa, na qual os pratos quentes dominam. "Mas começamos a ver que em algumas cidades, como Araraquara, os pratos tipicamente frios da comida japonesa ganham mais espaço", diz. Nessas cidades, a maior demanda acontece no jantar e nos fins de semana, diferentemente das capitais, onde o horário de pico é o do almoço. Além disso, afirma, no interior a concorrência está longe de ser a mesma da capital. "O restaurante acaba se tornando referência não só na cidade, mas na região".

Tecnologia precisa adicionar valor e competitividade

Entrevista: Presidente da Anpei diz que as empresas deverão ser cada vez mais inovadoras para sobreviver
 
Laura Knapp | Para o Valor, de São Paulo
27/06/2011
 

Daniel Wainstein/Valor
"O engenheiro Carlos Calmanovici, presidente da Anpei: "O mundo está se mexendo, nós temos que andar rápido"
 
 
 
A Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) realizou, de 20 a 22 de junho, a 11ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica. O tema do evento foram as redes de inovação e cadeias produtivas. Como afirma o engenheiro químico Carlos Calmanovici, presidente da entidade, "não basta ser competitivo isoladamente. Precisamos assegurar a competitividade na cadeia toda". Para ele, o governo precisa assegurar um ambiente macroeconômico onde as empresas possam inovar e crescer. Mas cabe a elas quebrar paradigmas e perceber de uma vez por todas que, apesar de a inovação ser uma atividade de risco, não inovar é mais arriscado ainda. "Só vão sobreviver as que forem inovadoras", diz ele. Leia a seguir a entrevista exclusiva concedida ao Valor.
Valor: O que representa a reunião da Anpei?
Carlos Calmanovici: Ela ocorre em um momento importantíssimo para o Brasil. O país está repensando todo o posicionamento de competitividade, e a inovação tem impacto fundamental nessa busca. Estamos vivendo um momento crítico em relação à posição do Brasil no cenário mundial e percebemos que as empresas estão com esforços crescentes na área de inovação.
Valor: Por que o momento é crítico para o Brasil no cenário internacional?
Calmanovici : Está havendo uma transformação grande no mundo. A gente percebe que principalmente as economias dos Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) estão evoluindo muito na agregação de valor a seus produtos. Há uma evolução na produção da China, na própria Índia. A Rússia começa a seguir a mesma tendência. Esses países têm feito investimentos com resultados significativos na densidade tecnológica dos seus produtos, particularmente dos que são exportados.
Valor: E o Brasil não está acompanhando isso?
Calmanovici : O Brasil está evoluindo também, existe um esforço, mas não estamos evoluindo na mesma velocidade. Isso é preocupante. Para acelerar o processo, a inovação é fundamental. Nessa medida, a inovação, que antes estava muito limitada à agenda científica, passa a ter importância fundamental na agenda econômica. Não estamos mais falando de inovação no sentido - ou na lógica - de invenção, de ciência. Estamos falando de inovação como elemento fundamental da competitividade do Brasil ou das empresas brasileiras. Não basta ter uma tecnologia bonita, interessante do ponto de vista científico. É necessário que essa tecnologia agregue valor. Que essa tecnologia dê uma posição de competitividade, ou dê uma oportunidade competitiva diferenciada para a empresa que a está utilizando.
Valor: Já estamos vendo isso nas empresas brasileiras ou é justamente o que precisamos alcançar?
Calmanovici : Já estamos vendo, mas ainda de forma tímida. Precisamos acelerar o processo, ampliar esse processo. Também há a questão da desindustrialização do país, da densidade tecnológica ser reduzida. O foco da nossa conferência é na inovação nas cadeias produtivas. Esse é um outro referencial de análise, de que não basta ser competitivo isoladamente. Precisamos assegurar a competitividade na cadeia toda.
Valor: Em geral as empresas brasileiras não são exatamente muito inovadoras. Em um país onde a inovação não é tão permeada, como fazer que se inove na cadeira inteira?
Calmanovici : A pergunta é muito boa. As empresas brasileiras são inovadoras e vão ser cada vez mais inovadoras. Temos programas emblemáticos, desde a perfuração em águas profundas, que é extremamente inovador e foi muito arrojado em seu momento. Ou o Proálcool. E empresas emblemáticas como Embraer, Natura, a própria Braskem, que lançou um polietileno verde pioneiro no mundo inteiro. Há vários programas e exemplos de empresas brasileiras inovadoras, extremamente inovadoras. É uma lista interminável e seria uma injustiça eu me limitar a duas ou três delas. Mas todas essas empresas competem em um cenário internacional extremamente desafiador, como falei antes. Mesmo atuando no Brasil a gente sofre a concorrência de produtos internacionais. Há uma necessidade de inovação e as empresas vão atender essa necessidade. A sociedade também está evoluindo, pedindo mais inovação, produtos mais avançados. Mas não é só uma demanda da sociedade, ou não só porque o governo vai ou não estimular a atividade, as empresas serão cada vez mais inovadoras por uma necessidade de sobrevivência. E só vão sobreviver as que forem inovadoras.
Valor: O Valor publicou há alguns dias uma matéria sobre mudanças que o governo estaria pensando em implantar nas políticas de inovação. Como o senhor vê essas mudanças?
Calmanovici :Considero que é uma evolução muito positiva, muito favorável. São melhorias de um marco legal que já funciona. Isso pode ter impacto fundamental na aceleração do processo. Pode ser uma ajuda importante para que essa transformação cultural de inovação tenha ritmo mais acelerado.
Valor: Na opinião da Anpei, o que o governo deve fazer para que a inovação se expanda no país?
Calmanovici : O grande paradigma para as empresas é o seguinte: a inovação é uma atividade de risco. Isso é fato. O paradigma que precisa ser quebrado é que não inovar é um risco maior ainda. Quando (as empresas) percebem que a não inovação é um risco maior ainda, o processo torna-se natural, é a passagem para a cultura da inovação. Na medida em que esse risco é mitigado por ações do governo, é mais fácil fazer essa passagem, fazer a quebra do paradigma. Mas é um processo que depende muito das empresas. No entanto, quanto mais favorável o ambiente macroeconômico, mais fácil é a inovação. Isso significa uma taxa de juros mais adequada. Temos um câmbio extremamente valorizado. Há um custo nas questões trabalhistas e fiscais. A reforma fiscal é de fato uma necessidade. Esses aspectos mais macroeconômicos são fundamentais para consolidar essa cultura inovadora.
Valor: O que podemos esperar para os próximos anos?
Calmanovici :O momento é extremamente importante para o Brasil. O mundo está se mexendo, nós temos que andar rápido.

Vale Soluções decide manter toda a produção de geradores em São Paulo

Chico Santos | Do Rio
28/06/2011
 
A Vale Soluções em Energia (VSE) decidiu concentrar todas as suas atividades industriais em São José dos Campos (SP), onde já está funcionando o seu centro de tecnologia. Com a decisão, a empresa não irá mais fazer a fábrica de equipamentos prevista para ser erguida na cidade de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte. O presidente da VSE, James Pessoa, disse ao Valor que já no fim deste ano a empresa começará a produzir geradores elétricos movidos a etanol em escala comercial.
Criada em dezembro de 2007 pela Vale e o BNDES, a VSE nasceu com o objetivo de desenvolver tecnologias limpas para a produção de turbinas e grupos geradores movidos, primeiramente, a gás e depois a etanol. Pessoa disse que a construção do centro de pesquisas dentro do Parque Tecnológico de São José dos Campos exigiu também a construção de uma fábrica para a produção de protótipos.
Ainda de acordo com o executivo, o centro tecnológico de São José cresceu tanto que a empresa constatou que ele estava em condições de produzir equipamentos em série, praticamente eliminando a necessidade da unidade mineira para a qual a VSE teria incentivos fiscais do governo do Estado. Pessoa disse que, como a maior parte do mercado para os geradores está em São Paulo, as vantagens fiscais oferecidas por Minas Gerais deixaram de ser fundamentais.
A decisão de concentrar pesquisa e produção em São Paulo foi tomada ao longo "dos últimos 12 meses" e comunicada recentemente ao governo de Minas Gerais. Mesmo após optar pela solução verticalizada, a VSE ainda mantém em Minas Gerais, maior centro produtor de minério de ferro da Vale, de 80 a 90 dos seus aproximadamente 450 empregados no Brasil, segundo disse seu presidente.
A empresa possui cerca de 130 empregados na Inglaterra, onde comprou uma produtora de motores elétricos e sistemas eletrônicos, segundo Pessoa, "complementares" à sua produção no Brasil. São duas unidades, uma perto do aeroporto Heathrow, na vizinhança de Londres, e outra próxima à cidade de Newcastle.
De acordo com o executivo, desde que foi criada a VSE já produziu 15 protótipos de 320 kilowatts (KW) movidos a etanol, dois dos quais foram vendidos à Eletrobras. Três geradores produzem quase um megawatt (MW) de energia elétrica, suficiente para abastecer uma pequena cidade de aproximadamente 6 mil habitantes. Até o fim do ano, quando começará a vender seus produtos em escala comercial, a subsidiária da Vale completará investimentos acumulados de US$ 550 milhões, de um planejamento que prevê investimentos totais de US$ 720 milhões até o fim de 2012.
A VSE foi criada com o ambicioso objetivo de tornar-se um centro de referência mundial em pesquisa, desenvolvimento e produção de turbinas e geradores e outros equipamentos de geração de eletricidade movidos a energia limpa, especialmente a álcool e a etanol.
A ideia inicial era substituir os geradores a diesel utilizados pela própria Vale, uma das maiores consumidoras de energia elétrica do Brasil. O gerador a etanol emite cerca de 70% menos partículas poluentes do que o movido a diesel.

Aviso prévio

24/06/2011
O Supremo Tribunal Federal decidiu fixar regras para que o aviso prévio seja proporcional ao tempo de serviço prestado por um trabalhador. O entendimento foi tomado pelos oito ministros que estavam presentes no plenário do tribunal, ao analisar um pedido de quatro funcionários da Vale que foram demitidos. O relator do caso, ministro Gilmar Mendes, julgou procedente o pleito dos trabalhadores. Eles pediam que o Supremo declarasse a omissão do Congresso Nacional em regulamentar o tema, já que o artigo 7º da Constituição Federal estabelece ser o "aviso prévio proporcional ao tempo de serviço". Também requisitaram que o tribunal estipulasse regras a serem seguidas pelas empresas até a edição de uma lei que defina a questão. Todos os ministros concordaram com Mendes, mas não houve consenso sobre o que deve ser aplicado a partir de então. Em consequência, Mendes pediu a suspensão do julgamento para que ele elabore uma sugestão das regras a serem definidas. O ministro disse que existem resoluções da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e projetos de leis que tratam do tema. Alguns ministros chegaram a propor o pagamento de um mês de trabalho para cada três anos trabalhado, outros, para cada seis anos. Não houve, porém, qualquer definição. Por conta disso, sequer ocorreu o pronunciamento da decisão sobre a omissão legislativa. (Folhapress)

É preciso elevar gasto com inovação, diz ministro

Ediane Tiago | Para o Valor, de Fortaleza
21/06/2011

Para acelerar a taxa de inovação e ampliar a competitividade da indústria, o Brasil precisa atrair projetos que garantam como contrapartida investimentos em pesquisa e desenvolvimento. "Não dá para ceder incentivo fiscal sem esse retorno. Temos condições de exigir mais de quem quer investir no país", declarou Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, durante a cerimônia de abertura da 11ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica, que termina amanhã em Fortaleza.
A estratégia é fundamental para que o Brasil avance na produção de valor agregado, deixando de ser uma economia com forte base nas commodities. Entre os exemplos, Mercadante avalia a cadeia produtiva do petróleo e chama a exploração em águas profundas de "nosso sputnik", em alusão à declaração que presidente americano Barack Obama fez sobre a importância do programa espacial para a economia dos Estados Unidos.
No Brasil, o desafio está em criar uma cadeia produtiva capaz de atender às demandas tecnológicas do pré-sal. Quanto maior o índice de nacionalização, maiores serão os impactos da exploração em toda a economia, criando empregos e gerando riquezas para o país.
A decisão, segundo ele, é se agiremos como a Venezuela, que não deve deixar uma boa herança para o futuro, ou a Noruega, cuja estratégia para a exploração de petróleo e gás garantiu desenvolvimento econômico e social. "É a nossa poupança para o futuro".
O ministro comentou ainda suas preocupações em relação à proposta para a divisão dos royalties do pré-sal. Com o projeto que está em avaliação, o fundo setorial, que garante os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, perderá em torno de R$ 12 bilhões até 2020, nas contas do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O cálculo tem base no potencial das reservas.
De acordo com Mercadante, o Brasil já possui 20 bilhões de barris certificados, com potencial de ultrapassar os 40 bilhões. A um preço médio de US$ 120 o barril, o total da produção alcançará o patamar de US$ 5 trilhões. "Parte dos lucros tem de ser investida em educação, ciência, tecnologia e inovação. Não temos o direito de repetir o erro de muitas nações petrolíferas", diz.
No encontro, organizado pela Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), o ministro conclamou os empresários a ampliar os aportes em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil investe cerca de 1,19% do PIB em atividades para criação de novos produtos e mais da metade desse orçamento vem do poder público. No Japão, o total alcança 3,44% do PIB, a maior parte com dinheiro da iniciativa privada. O mesmo se repete nos Estados Unidos e na Europa. "A meta é criar uma cultura empresarial inovadora, para que o salto tecnológico aconteça", afirma.
Para os representantes das empresas, o governo também precisa apostar mais, dividindo os riscos e criando instrumentos mais eficientes para financiar as atividades de pesquisa e desenvolvimento. "A política econômica tem de ser direcionada para a inovação. É preciso ousadia para avançar", afirma Carlos Eduardo Calmanovici, presidente da Anpei.
Para Calmanovici, nos encontramos diante de um cenário perigoso: muito à frente de países pouco desenvolvidos na questão da inovação, mas nos descolando de forma perigosa dos outros emergentes, como China e Índia. "Para sermos eficientes, temos de pensar em projetos que envolvam as cadeias produtivas, distribuindo a inovação e gerando conhecimento em todo o país."
Mesmo com um sofisticado sistema para fomento à inovação, o país ainda não consegue trazer competitividade para as cadeias produtivas. "Não dá para inovar sozinho. Mesmo que uma grande empresa aposte muito em pesquisa e desenvolvimento, vai esbarrar na falta de capacitação da cadeia produtiva", avalia Calmanovici.
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) possui mais de 60 instrumentos de fomento à inovação, que se transformaram em verdadeiro labirinto burocrático para obtenção de crédito. Para dar mais agilidade ao sistema, o ministério quer transformar a Finep em uma espécie de banco. "A Finep será o grande agente da inovação no Brasil, com linhas diversas e que incluem até capital semente", conta Mercadante, afirmando que nos últimos três meses a entidade desembolsou R$ 1,4 bilhão para o financiamento de projetos.


sexta-feira, 10 de junho de 2011

Teuto aguarda aprovação para vender 15 medicamentos da Pfizer

Laboratórios: Grupo americano comprou 40% da companhia brasileira no fim do ano passado
 
Vanessa Dezem | De Anápolis (GO)
10/06/2011
 

Ana Paula Paiva/Valor
Leite, presidente do Teuto, está otimista com a participação do novo sócio: "São muitas as oportunidades que se desenham"
 
 
Depois da agitação gerada no mercado farmacêutico pelo acordo firmado entre o laboratório Teuto e a gigante americana Pfizer no fim do ano passado, a empresa brasileira ainda espera para colher seus frutos. O Teuto tem hoje 15 produtos da multinacional submetidos à avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No fim do ano passado, 40% das ações do Teuto foram compradas pela multinacional. O acordo estava dentro da estratégia da americana de atuar no mercado de genéricos no país.
As sinergias existentes entre as duas operações no Brasil ainda não surtiram resultados, mas as companhias estão discutindo os detalhes de como melhor aproveitá-las. "São muitas as oportunidades que se desenham", afirmou o presidente do laboratório Teuto, Marcelo Henriques Leite. Segundo ele, os primeiros efeitos da parceria com a americana deverão ser verificados apenas no fim do segundo semestre, provavelmente nos resultados referentes ao ano completo de 2011.
"Hoje, não temos nenhum resultado do acordo em nosso faturamento. Estamos indo mais rápido do que prevíamos, mas dependemos muito da aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uma série de determinações", completa.
Dentre as sinergias a serem aproveitadas pelo laboratório brasileiro, está a possibilidade de lançar os principais produtos da Pfizer na forma de genéricos, inicialmente com a marca Teuto ou Teuto/White - a marca White é utilizada pela Pfizer nos genéricos de marca. Leite pretende lançar, deste modo, 40 produtos. Da mesma forma, a americana pode colocar sua marca nos genéricos do Teuto.
Outra sinergia interessante vem da complementaridade da atuação das duas empresas nos pontos de venda. Enquanto a Pfizer atua nas grandes farmácias, o Teuto se foca nas pequenas. "Agora os nossos produtos vão para as grandes também", explica Leite. Além disso, o modelo comercial da americana inclui a atuação junto aos médicos, público não atingido pelo laboratório brasileiro.
Enquanto trabalha na parceria, o laboratório brasileiro segue com seus investimentos já programados. Ontem a empresa iniciou a produção em sua nova fábrica no complexo industrial de Anápolis, em Goiás. A unidade - onde foram aplicados R$ 20 milhões - mais que triplicará a produção de antibióticos voltados para o consumo hospitalar da companhia.
Leite afirma que esse e os demais novos investimentos da companhia, no entanto, virão somente de sua própria geração de caixa. Isso porque todos os recursos provenientes da aquisição pela Pfizer foram para as mãos do acionista do Teuto.
A cerca de 40 quilômetros de Goiânia, no meio do cerrado, o amplo complexo do laboratório abriga, além da nova fábrica, duas unidades que produzem medicamentos sólidos e pomadas, além de líquidos e injetáveis. O espaço tem ainda mais duas unidades construídas, mas vazias. Os prédios estão esperando uma definição da empresa sobre os novos produtos que vão complementar seu portfólio.
Com faturamento de R$ 324 milhões no ano passado - alta de 15% frente a 2009 - o Teuto tem seus resultados divididos igualmente entre os genéricos para farmácias, genéricos de marca para farmácias e genéricos para hospitais. A ideia agora era entrar no mercado hormonal e de oncologia, entretanto, com a parceria com a multinacional americana, já estão sendo avaliadas novas oportunidades.
O Teuto pode, por exemplo, aproveitar as duas fábricas vazias para entrar no segmento de biológicos, produzir outros tipos de antibióticos ou utilizar os canais de exportação da multinacional americana para criar linhas específicas para vendas no exterior. "Mas a oncologia e os hormônios são prováveis focos", afirmou Leite.
Com capacidade de produção total de 45 milhões de caixas de medicamentos por mês, o laboratório obteve avanço de 50% no faturamento nos quatro primeiros meses do ano, frente ao mesmo período do ano passado. Desse modo, suas projeções de crescimento para 2011, que antes apontavam para 30%, agora superam os 40%.

A repórter viajou a convite do Teuto